A Feira de Caruaru

Publicado: 25th maio 2010 por Maurício em Interessante, Tudo Resumido
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INTRODUÇÃO

A Feira de Caruaru é um forte ponto de encontro de muitos comerciantes, dos mais variados tipos de ramos. Contendo corredores imensos, de várias barracas, a feira acontece nos sábados, mas a variedade dos seus produtos faz com que o local seja movimentado praticamente todos os dias da semana. Entre seus corredores é possível localizar objetos antigos, cegos tocando sanfona, vendedores com alto-falantes anunciando as literaturas de cordéis, violeiros, cantadores… Tornando a feira não só um ponto de comercio, mas também um local onde as mais variadas formas culturais se encontram, transformando a feira em um palco de apresentação das tradições populares.

BREVE HISTÓRICO

Embora a feira tenha surgido a mais de duzentos anos, sua história se confunde com a fundação da cidade, pois Caruaru no início do século XVIII era uma fazenda, que em sua proximidade tinha a capela de Nossa Senhora da Conceição, na qual moradores e visitantes juntavam-se para rezar e trocar mercadorias. Esse costume foi se intensificando, e aumentando consecutivamente os tipos de produtos que se vendia, diversificando-se ainda mais. Esse crescimento da feira foi de uma força tão grande, que historiadores afirmam que a cidade de Caruaru nasceu de uma feira. Em 1992, a feira foi transferida do Lago da igreja já citada, para o Parque 18 de Maio (popularmente conhecido como Parque das Feiras de Caruaru), onde até hoje está localizada. São centenas de barracas coloridas, vendendo vários tipos de mercadorias, transformando o local em imensos corredores que se perde de vista. Luiz Gonzaga fez uma música citando essa diversidade de produtos existentes na feira:

A feira de Caruaru

Faz gosto a gente ver

De tudo que há no mundo

Nela tem prá vender…

Atualmente a feira está subdividida basicamente em três partes: A Feira do Gado, Feira do Artesanato e a chamada Feira Livre.

A FEIRA DO GADO

Tipo de feira que expõe toda semana, cerca de dois mil animais, e aproximadamente setenta por cento destes saem com um novo dono. Realiza-se no Bairro de Cajá, localizado próximo ao aeroporto. Acontecendo sempre as terças-feiras, é direcionado a comerciantes e criadores de gado, que chegam à segunda-feira a noite trazendo consigo seus animais em caminhonetes lotadas, colocando-os em currais já reservados aos comerciantes antigos.

Ao amanhecer a feira começa, e consecutivamente o movimento torna-se cada vez mais intenso. Dentro desse movimento, trabalham também fiscais da Agência de defesa e Fiscalização Agropecuária (Adrago), para controlar a entrada e a saída de animais, evitando gado doente. “O que os criadores precisam fazer é adquirir a vacina e comprovar através de nota fiscal posto da Adagro, por meio da ficha sanitária” afirma o gerente regional da agência, João Maurício.

Embora o nome da feira corresponda só a gado, também se negocia animais como: cavalos, cabras, bodes e outros animais de pequeno porte, além de acessórios para os mesmos. Existindo também as barracas de balança, de lanche, e etc. Os animais são vendidos tanto para criação, como para o abatimento, já que o Matadouro Público Municipal localiza-se a poucos metros de distância de onde acontece a venda.

A Feira do Gado movimenta cerca de um milhão de reais em Caruaru, mas apesar da grande movimentação comerciantes só compram o gado se tiverem certeza da qualidade. Para que a venda possa ser efetuada os compradores utilizam-se de sua experiência: “A gente se baseia na dentição. Se a vaca estiver velha, caem os dentes e já não presta mais para comer capim, só farelo. Então, nessas coisas, tem que ter experiência”, relata o caminhoneiro Dilton Barbosa.

FEIRA DO ARTESANATO

Foi o primeiro setor a ser separado e instalado no Parque 18 de Maio. Também chamada Feira dos Artistas, mantém um grande  fluxo de compradores o ano inteiro. Os objetos artesanais são confeccionados de vários tipos de materiais como, por exemplo: barro, palha, madeira, e objetos às vezes inusitados. Por vezes os artesões fazem as obras, diante dos olhos do comprador, garantindo a originalidade do produto.

A Feira de Artesanato corresponde um número enorme de variedades, sendo assim organizada por ruas e números. Por exemplo, na rua nove, número cento e oitenta e um, encontra-se a loja chamada Suzy Artesanato, nela podem-se comprar vestidos e saias, que segundo a vendedora é cem por cento algodão.

A influência da modernização também é presente na Feira de Artesanato, pois em várias lojas é possível comprar os produtos por intermédio do cartão de crédito e débito, isso facilita, por exemplo, na compra principalmente de estrangeiros que são atraídos pela beleza dos produtos e utilizam-se, muitas vezes, deste meio moderno de compra para levar a mercadoria desejada.

FEIRA LIVRE

Também localizada no Parque 18 de Maio, contendo todos os mais variados setores da Feira de Caruaru, como por exemplo, as feiras: de frutas e verduras; de raízes e ervas medicinais; do troca-troca e de confecções populares ou “feira das roupas”.

  • Feira de frutas e verduras: Trazendo as frutas e verduras dos seus roçados direito para a feira, ou até recebendo os alimentos da CEACA (Central de abastecimento de Caruaru), os comerciantes desta feira comercializam seus produtos nas suas barracas. Funcionado das quartas aos sábados, com uma imensa variedade de frutas e verduras, a feira recebe mais de vinte mil pessoas e conta com cinco mil feirantes vendendo suas frutas e verduras.
  • Feira de raízes e ervas medicinais: Encontra-se nesta feira, raízes e ervas medicinais da própria região. Contendo “remédio” para todos os tipos de enfermidade ou dor, os quais são indicados pelos chamados “médicos da feira”.
  • Feira do troca-troca: Nesta parte da feira dinheiro é o último recurso a ser pensado, pois a maioria das compras são negociadas por meio do escambo depois de muita pechincha. Aqui tudo é trocado, aves por discos, bicicletas por animais, relógio por rádios… A variedade das trocas é surpreendente.
  • Feira de confecções populares: Uma das mais antigas. Vendem-se roupas até pela metade do preço, sendo este fator o responsável pela grande movimentação em seus corredores, de pessoas vindas tanto da própria cidade ou das cidades vizinhas e até mesmo turistas.

FEIRA DO PARAGUAI E A FEIRA DA SULANCA

A mudança da Feira de Caruaru das ruas centrais, para o antigo Campo de Monta, agregou a Feira de Caruaru mais dois tipos de feiras, ambas montadas nas terças-feiras, as quais são:

  • Feira de Artigos Importados: Também chamada de Feira do Paraguai, instalou-se numa área do parque próxima ao estacionamento. Os produtos que são vendidos são os mais variados, assim como todos os outros setores da Feira de Caruaru. Os objetos comercializados vão de aparelhos eletrônicos e objetos de decoração a bijuterias e perfumes. Porém a feira já teve dias bem melhores, pois segundo informações constantes do dossiê de Registro da Feira de Caruaru, a maioria dos produtos comercializados são falsificados. Sendo, portanto a fiscalização intensa nesta feira, muitos comerciantes já perderam todas as suas mercadorias. Outro aspecto que preocupa os comerciantes é o aumento do dólar e consecutivamente a desvalorização do real, já que a maioria dos produtos são comprados no Paraguai. Diante do aumento da moeda americana, fica inviável pagar a viagem e comprar os produtos e ainda obter lucro. Por esses aspectos citados, muitos feirantes deste setor já pensam em mudar de ramo.
  • Feira da Sulanca: A atividade começou com as costureiras da região que aproveitava as sobras de tecidos sintéticos das fábricas paulistas, confeccionando seus produtos. O grande desenvolvimento aconteceu, a partir dos anos 80, gerando um pólo de confecções que envolve atualmente, os municípios de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Esses produtos confeccionados são vendidos em vários pontos do Brasil, inclusive na Feira da Sulanca, que semanalmente somente ela movimenta cerca de vinte e dois milhões de reais, e conta aproximadamente, com cerca de vinte e dois mil feirantes, entre eles cadastrados e “invasores”. Nas terças-feiras, dia desta feira, o fluxo de pessoas aumentam consideravelmente no Parque 18 de Maio. Começa desde a madrugada, a movimentação intensa de pessoas vindas principalmente do nordeste, comprando as mercadorias, que as revendem em seus respectivos comércios. No livro Vida e esperanças contém um trecho que corresponde ao exemplo acima citado: “Algumas mulheres iam para a feira de Caruaru e compravam roupas para vendê-las no bairro.” (DALSGAARD, 2005  p.207)

CONCLUSÃO

A tão famosa Feira de Caruaru é responsável por uma quantidade enorme de fluxo de pessoas. Grande mobilizadora de recursos financeiros da região e geradora forte de empregos, também sofre com as mudanças econômicas mundiais por um lado, como ocorre na Feira do Paraguai, ao mesmo tempo em que tenta se conciliar com a modernização, que é o fato da aceitação dos cartões de créditos e débitos nas lojas da Feira de Artesanato. Mesmo com as dificuldades, não deixa de ser um forte ponto comércio e atrações culturais, atraindo pessoas das mais variadas partes do Brasil e do mundo. Vendendo os mais diversos tipos de produtos, a feira apesar das transformações ocorria durante o tempo, não deixou de ter o que Luiz Gonzaga já cantava:


…Tem massa de mandioca

Batata assada, tem ovo cru

Banana, laranja e manga

Batata-doce, queijo e caju

Cenoura, jabuticaba,

Guiné, galinha, pato e peru

Tem bode, carneiro e porco

E se duvidar inté cururu

Tem cesto, balaio, corda

Tamanco, gréia, tem tatu

Tem fumo, tem tabaqueiro,

Tem peixeira e tem boi zebu

Caneco, alcoviteiro,

Peneira boa e mel de uruçu

Tem calça de arvorada

Que é prá matuto não andá nu

Tem rede, tem baleeira

Móde menino caçá lambu

Maxixe, cebola verde,

Tomate. coentro, couve e chuchu

Almoço feito na corda

Pirão mexido que nem angu,

Mobia de tamborete,

Feita tronco de mulungu

Tem louça, te ferro velho,

Sorvete de raspa que faz jaú

Gelado caldo de cana,

Planta de palma e mandacaru

Boneco de Vitalino, que são

Conhecido inté no Sul

De tudo que há no mundo

Tem na feira de Caruaru.

BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA:

DALSGAARD, Anne Line. Vida e Esperanças. Tradução de: Fundação Editora da UNESP. São Paulo: UNESP, 2005.

GASPAR, Lúcia. Feira de Caruaru. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife: 20003. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: 21/05/2010.

BORGES, Marieta. Feira de Caruaru – Um Patrimônio do Brasil. Blog de BORGES Marieta, Recife. Disponível em: <http://www.marietaborges.com>. Acesso em: 20/05/2010.

ANNA, Márcia Santa. Texto – Feira de Caruaru (Documento Anexado ao texto: Feira de Caruaru). Brasília: Parecer Nº 005/06 – DPI, 2006. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br>. Acesso em: 21/05/2010.

ROMERO, Pedro. Feira de Caruaru é patrimônio brasileiro. Ministério da Cultura, Jornal do Comércio, Pernambuco: 2006. Disponível em: <http://www.cultura.gov.br/>. Acesso em: 21/05/2010.

MORENO, Marcondes. Adagro fiscaliza feira de gado que movimenta R$ 1 milhão em Caruaru. Blog do Marcondes Moreno, Pernambuco: 2008. Disponível em: <http://www.blogsulancanews.com/>. Acesso em: 22/05/2010.

PERNAMBUCO.COM, Jornal Redação. A Feira de Artesanato de Caruaru como opção de compras para o Natal e Fim de ano. Jornal Pernambuco, Pernambuco: 2009. Disponível em: <http://portalcaruaru.com/>. Acesso em: 20/05/2010.

NOÇÕES Gerais da Feira (Parque 18 de maio). Feira de Caruaru, Pernambuco: 2009. Disponível em: <http://www.feiradecaruaru.com/>. Acesso em: 21/05/2010.

NOVAES, Chico. Conheça as Feiras de Caruaru. Chico Novais Imóveis, Pernambuco: 2010. Disponível em: <http://www.chiconovaesimoveis.com.br>. Acesso em: 21/05/2010.

PERRIER, Ricardo. Feira do Paraguai com os dias contados. Jornal do Comércio, Recife: 1999. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/JC>. Acesso em: 21/05/2010.

  1. Wellen disse:

    Mt bom essas koisa sobre a feira de Caruaru

  2. GOSTARIA DE SABER SE VOCÊ SABE QUEM RÁDIOS ANTIGOS SONIA DA WANSAT SUPER III OU SONIA DA WANSAT SUPER II,03 PILHAS GRANDES SEMPRE AI EM PE.
    SEMPRE TEM ESTES RÁDIOS POREM SE VOCÊ TIVER MNDE ME UM EMAIL E DIGA OS
    VALORES DE CADA UM DELES MAS QUE ESTE FUNCIONANDO E EM BOM ESTADO DE
    CONSERVAÇÃO OBRIGADO.AGUARDO RESPOSTAS.

  3. Chico Tabosa disse:

    Chegando em Caruarur entrem em contato comChico Tabosa 081 9981 1995 tenho mais de 60 radiios antgos .

  4. que bom saber da feira de Caruaru que saudade sou Pernambucano de Saloá moro aqui
    no sul do Brasil há 33 anos mas tenho muitas saudades muito embora saí dai novinho mas
    lembro-me de muitas coisas dai eu trabalho aqui em são Paulo sou professor de filosofia de
    sociologia habilitado pela UNIVERSIDADE BRAZ CUBAS- de Mogi das Cruzes interior aqui de
    são Paulo mas assim que me aposentar quero morar em Caruaru Pernambuco um abraço a
    todos ai de Caruaru está de Parabéns sobre a feira de vCaruaru.